Remo para caiaque, entenda as diferenças

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Um remo para caiaque é um equipamento tão importante quanto a escolha do próprio caiaque. Um bom remo não depende exclusivamente do peso, ou da marca de quem o fabrica e sim de um conjunto de fatores que falaremos a seguir.

    1. Design de remo para caiaque
    2. Modelos de eixos de remos
    3. Remo Simétrico x Remo Assimétrico
    4. Términos transversais das lâminas das pás
    5. Principais Modelos de remos para caiaques
    6. Materiais x peso
    7. Ângulo entre as lâminas das pás
    8. Conclusão

 

designs de remo para caiaque

No Brasil, provavelmente por ser muito usada na publicidade, é comum associarmos a palavra design como algo bonito em suas formas. Na verdade o design pode ser belo ou feio, funcional ou não funcional.

Quando falamos de design embarcações ou remos, falamos além dos aspectos visuais, que também importam, de como tecnicamente esse desenho influencia no desempenho pretendido. Um remo para águas brancas, é diferente de um remo para travessia em caiaque oceânico, que pode ser diferente de kayak surf, que pode ser diferente de surfski ou de quem usa caiaque de pesca sentado numa cadeira mais elevada.

Diferenças básicas em design de remos:

remo simétrico

Remo com superfície achatada ou plana

remo curvo assimétrico

Possui uma curvatura na pá, uma concavidade

design remo groenlandes

Remo que possui curvaturas e espessuras gradativas e simétricas

Modelos de eixos de remos

Existem modelos de cabo curvo ou ben shaft e modelos de cabo reto. Os remos de cabo curvo aliviam a pressão sobre as mãos pois tendem a corrigir o ângulo da empunhadora enquanto o remo entra na água de forma diagonal. São remos bem mais caros.

remo com cabo curvo ben shaft
Diferença entre Remo para caiaque com cabo curvo e cabo reto

Remo Simétrico x Remo Assimétrico

Visualize uma linha imaginária como um eixo, percorrendo todo o cabo do remo até passar pelo centro da pá, dividindo-a em duas partes. Se cada metade da pá tenha o desenho exato da outra parte, o remo é simétrico, pois possui duas metades iguais. Por outro lado, se um lado da linha tiver uma área de superfície diferente da outra, é uma lâmina assimétrica.

Como funciona um remo para caiaque assimétrico

Aqueles que possuem uma remada mais baixa tendem a usar lâminas de pás de remos assimétricas. Esse remos quando estão em curso, entrando na água, tendem a vibrar menos, pois o recorte na extremidade (do plano B) iguala a área de superfície dentro da água (surface area). Porém tanto remos para remada baixa quanto para remada alta podem possuir design assimétrico.

Alguns designs mantém esse desenho até o interior do remo em diferentes dimensões.

Não iremos nos aprofundar sobre cada tipo nesse post, mas em geral, em canoagem oceânica de travessia e canoagem de turismo o desenho mais usado é o diédrico, pois além de ter bom desempenho, possibilita que o canoísta use diversos tipos de técnicas e manobras, como apoios, lemes, deslocamentos.

 

Remada alta x Remada baixa

A maioria das pessoas aprecia o estilo de ângulo baixo de remada ou remada baixa. Os remos para ângulo baixo têm pás mais longas e estreitas, projetadas com a quantidade certa de área de superfície (surface area) para uma boa potência, enquanto mantém um movimento de avanço. O traçado de ângulo baixo coloca as mãos na altura do ombro, permitindo um movimento mais relaxado, ao mesmo tempo em que reduz significativamente a pressão na parte superior do corpo, braços e ombros.

A remada alta possui ângulo mais agressivo, normalmente envolve uma cadência mais rápida, com mais potência. A mão superior chega a altura da testa e da um golpe (empurrando o lado superior com a face da mão) enquanto a lâmina da pá dentro d’água passa mais próxima ao caiaque.

É o estilo de remada usada em competições. A forma da lâmina da pá mais larga e mais curta maximiza a potência e a eficiência. Remada alta faz com que ocorra maior pressão sobre os ombros e é fundamental uma boa técnica para prevenir lesões. Há boas escolas de canoagem no Brasil que podem ensinar como usar os grupos musculares corretos para ter máxima eficiência tanto para competir quanto em médias e longas distâncias.

Entre remos europeus muito usados na canoagem oceânica de travessia, temos essas variações de pás de acordo com ângulo de remada:


Remo para remada baixa, pá mais estreita e mais longa, ideal para remada mais relaxada e longas distâncias. (Longer mid-sized blade)


Remo para remada alta, pá mais curta e larga na ponta. Ideal para remadas com mais velocidade em curtas / médias distâncias. (large blades)

Existe ainda remos com lâmina da pá em tamanho médio (mid-sized blade), que é um meio termo entre as duas citadas acima.

Tamanho ideal para um Remo para caiaque*

Abaixo temos uma tabela de referência baseada na relação Altura do remador x Largura (boca) do caiaque e remada baixa. Essa tabela não serve para águas brancas.

boca do caiaque

Tamanho do remador Largura caiaque < 58 cm Largura caiaque > 60 cm < 71 cm Largura caiaque > 72 e < 83 cm Largura caiaque > 72 e > 84 cm
Abaixo de 1,67 m 2,10 m 2,20 m 2,30 m  2,40 m
Entre 1,67 m e 1,82 m 2,20 m 2,30 m 2,40 m  2,50 m
Acima de 1,82 m 2,20 m 2,30 m 2,50 m  2,60 m

Note que apesar da tabela sugerida há outra consideração que é a altura do assento. Quanto mais alto o assento a tendência é que o remo precise ser maior. Adaptações no assento, mesmo que pequenas podem gerar desequilíbrios tanto de estabilidade no desgaste físico na remada, podendo inclusive facilitar lesões.

Em remada alta a largura do caiaque não influencia tanto já que a maioria dos que utilizam esse tipo de remada já optam por caiaques mais estreitos (e velozes).

Em remos groenlandeses existe uma variação chamada storm paddle ou remo para tempestade, mais curtos e com veio (haste) central mais suave, deixando menos área para atritar com vento e facilitando o remador percorrer as mãos usando toda a área do remo, usando a técnica chamada sliding stroke, como no vídeo do Eiichi Ito da Qajaq JPN.

materiais x peso

Peso é algo importante a se considerar, principalmente em expedições de longas distâncias ou para quem vai competir.

Existem diversos tipos de materiais, como carbono, fibra de vidro, madeira, compostos de fibra com carbono entre outros. O material e a técnica de construção tem relação com o peso e a resistência do remo. Um remo de fibra de vidro é mais flexível e resiste mais a impacto, enquanto remo de fibra de carbono é mais rígido, mas resiste menos a impacto.

Existem também remos em peça única, há também remos bi-partidos e alguns remos groenlandeses são até tri-partidos. Os bi-partidos são muito úteis para usar como remo reserva, pois se acomodam melhor preso aos elásticos do deck de um caiaque oceânico.

ângulo entre as lâminas das pás

Alguns remos bi-partidos possuem um sistema de rotação em seu eixo, que possibilita mudar o ângulo entre as lâminas das pás. Normalmente as pessoas aprendem a remar com as lâminas alinhadas, mas após algum contato com a canoagem, percebem ser agradável colocar um pouco de ângulo entre as pás, normalmente próximo de 30º, chegando até 45º. Esse ângulo faz com que a necessidade de girar um pouco os punhos para alternar entre as pás na água diminuam. Atualmente remadores de competição, usam uma remada mais de “ataque”, remada alta com cadência alta e usam as pás alternadas em média em 70º.

Principais Modelos de remos para caiaques

Remo Europeu

Remo Europeu Werner CamanoSão os remos mais usados no mundo, em turismo ou expedições em caiaques oceânicos. É um remo indicado para todo tipo de travessia, turismo (touring) e contemplam todo tipo de remada. As diversas técnicas de canoagem são muito eficientes quando bem usadas com eles, lemes, apoios, rolamento, deslocamentos entre outros.

Remo WING (rasmussen)

Remo WingAs lâminas de pás no estilo “asa” ou Wing, para provas de caiaque no estilo olímpico de velocidade, e que mais tarde foi derivado em outros modelos com diferentes curvas no eixo, para corridas de slalom. Alguns chamam de Rasmussen, que na verdade é o nome do criador. Ambos os conceitos passaram por modificações de projeto e agora são usados por canoístas de surfski, oceânica, diversas modalidades. Como o formato é de uma “colher” profunda, esse remo cria uma tração usando um maior volume de água dentro da pá. Ele é feito para remada alta e é um tanto mais complicado para manobras, lemes e até mesmo para apoios exige variação. São ideais para quem busca velocidade e uma cadência alta.

REmo Groenlandês

remando com remo groenlandês

O remo groenlandês é o precursor dos remos na canoagem, criado pelos povos do norte, os Inuits há algumas centenas de anos. Há uma variação criada pelos Aleutas, que eram os povos que habitavam a região do Alaska. As diversas técnicas de canoagem aprendidas até hoje, são baseadas na canoagem ancestral desses povos e eles usavam esses remos. Um remo groenlandês possui uma boa “pegada”, é muito gostoso de remar, muito mais fácil para aprender rolamento e muito bom para longas distâncias.

O remo não possui uma empunhadura numa área fixa, todo o remo é usado, percorrendo as mãos conforme a técnica usada. Há diversas técnicas groenlandesas que são muito divertidas de treinar com um remo groenlandês. É muito bom para surf também. Ele dá impressão de não ser eficiente dado sua espessura em um primeiro momento. Porém, é uma ilusão, já que apesar de estreito, ele entra muito mais profundo na água e acaba tendo uma área de força próxima de um remo europeu. Pode ser usado em todos os tipos de altura de remada e cadência, tanto pra uma remada mais relaxada, quanto com uma remada de potência.

Escrevi um artigo anteriormente sobre a Origem do Caiaque e da Canoagem. Nele falo um pouco mais sobre os povos do norte e suas técnicas. E pra quem gosta de histórias sobre canoagem tem mais aqui.

Conclusão:

Resumimos aqui alguns aspectos úteis na decisão do melhor remo para suas remadas.

  • Comprimento: A largura do seu caiaque (boca) e a sua altura determinam o comprimento da sua pá.
  • Materiais e preço: Materiais leves melhoram o desempenho e reduzem o esforço, mas custam muito mais.
  • Corta gotas: Existem remos que possuem anéis de borrachas antes das lâminas das pás. Servem para manter as mãos secas, prevenindo bolhas em longas distâncias.
  • Funcionalidade: Se você pretende desempenho, velocidade, pretende competir, remos wing e remada alta combinam perfeitamente. Se você pretende travessias oceânicas em caiaques, talvez opte por um remo europeu assimétrico ou um remo groenlandês, com uma remada mais baixa, podendo ter conforto em longas distâncias.
  • Design da pá: O tamanho e a forma da lâmina da sua pá afetam sua eficiência geral na água, seu poder de manobra, propulsão entre outros fatores.
  • Escolha do cabo: Um remo de cabo curvo (ben shaft) ou com possibilidades de personalizar o ângulo entre as pás podem ser muito úteis.
  • Se você fará expedições em caiaques oceânicos, quando investir na compra do remo principal não esqueça de deixar uma graninha de sobra para um remo reserva, pois faz parte do kit de segurança essencial 😉

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