Canoagem na Sibéria e Invasão Russa ao Alasca

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Você sabia que a canoagem foi difundida na Rússia graças a invasão do Alasca? Pois é, após os povos do Mar Ártico criarem e aperfeiçoarem as técnicas de canoagem, construção e caça, os Russos, após curiosa tentativa de colonização dos povos Aleutas que viviam no continente, levaram essas técnicas para a Sibéria.

Em 1725, o imperador Pedro, o Grande ordenou ao navegador Vitus Bering que explorasse o Pacífico Norte para uma potencial colonização. Os russos estavam principalmente interessados ​​na abundância de mamíferos portadores de peles na costa do Alasca, já que os estoques tinham sido esgotados pela caça excessiva na Sibéria. A primeira viagem de Vitus Jonassen Bering, dinamarquês naturalizado Russo, foi frustrada pela névoa e por grossas camadas de gelo, mas em 1741 uma segunda viagem de Bering e Aleksei Chirikov encontrou o continente americano, o Alasca. Bering deu nome ao Mar de Bering, uma extensão Marítima entre o norte do Alasca, o noroeste da Sibéria e a sul pela península do Alasca e Ilhas Aleutas.

Os promyshlenniki (caçadores) russos desenvolveram rapidamente o comércio marítimo de peles, que provocou vários conflitos entre aleutas e russos na década de 1760. O comércio de peles provou ser um negócio lucrativo, capturando a atenção de outras nações europeias.

Em 1799, a Companhia Russo-Americana (CRA) foi criada para monopolizar o comércio de peles, servindo também como veículo imperialista para a tentativa de “russificação” dos nativos do Alasca.

Durante a consolidação da Companhia Russa-Americana, houve um conflito esporádico com a população nativa (freqüentemente desastrosa para os russos mal armados e numericamente superados). As colônias logo formaram um estado relativamente estável baseado na cooperação, nos casamentos mistos e nas políticas oficiais que ofereciam status social, educação e treinamento profissional a crianças de nascimento aleúte-russo. Em uma geração, a administração cotidiana das colônias russo-americanas estava curiosamente em grande parte nas mãos dos nativos do Alasca.

Revertendo a tendência usual na colonização, onde as tecnologias indígenas são substituídas pela dos colonizadores, os russos adotaram o caiaque Aleuta, ou baidarka, além das técnicas de caça às lontras marinhas e posteriormente as levaram para a Sibéria, ao norte da Rússia.

Esqueleto de uma Baidarka, um tipo de caiaque, no museu AlaskaState
Estrutura de uma Baidarka no museu AlaskaState
3 homem em uma baidarka
Aleutas retornando após caça – Fonte: National Archives 111-JC-83831

Em meados do século XIX, os lucros das colônias americanas da Rússia estavam em declínio acelerado. A competição com a empresa britânica Companhia da Baía de Hudson trouxe a lontra-marinha a quase extinção, enquanto a população de ursos, lobos e raposas também estava perto do esgotamento. Diante da realidade de revoltas indígenas periódicas, das ramificações políticas da Guerra da Crimeia e incapaz de colonizar completamente a América de maneira satisfatória, os russos concluíram que suas colônias americanas eram muito caras. Com vontade de se libertar do fardo, os russos venderam o Fort Ross em 1842 e, em 1867, depois de menos de um mês de negociações, os Estados Unidos aceitaram a oferta do imperador Alexandre II para vender o Alasca.

A compra do Alasca por 7,2 milhões de dólares encerrou a presença colonial da Rússia Imperial na América, algo como US$ 100 milhões (R$ 313 milhões) hoje.

A compra foi, à época, vista como ridícula, disseminada na época com diversos pontos de vista diminutivos, como “a loucura de Seward” (William H. Seward’s folly), ou ainda “A Geleira de Seward” (William H. Seward’s icebox) e “o jardim de ursos-polares de Andrew Johnson” (Andrew Johnson’s polar bear garden), pois considerava-se temerário gastar uma tal quantia por uma região remota. Seward foi senador e secretário de Estado dos governos de Abraham Lincoln e Andrew Johnson e junto com o presidente Andrew viabilizou a compra do Alasca dos russos.

O Alasca se transformou numa poderosa economia. Tem uma população que se aproxima de 1 milhão de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 44 bilhões anuais. Em outras palavras, produz anualmente mais de 400 vezes o que a Rússia ganhou ao vender o território.

E Seward, taxado como louco por seus contemporâneos acabou se tornando responsável por um dos maiores negócios da história do EUA.

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