Baidarka, o caiaque espiritual Aleuta

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Um grandes legados dos povos Unangan ou Aleutas, que vivivam nas Ilhas Aleutas, no mar Ártico, é um dos primeiros caiaques da história, a Baidarka. Uma característica proeminente de uma baidarka é seu arco na proa, bifurcado. Muito leve e manobrável, era feito de pele de foca, costurada apenas por mulheres Aleutas, sobre uma moldura feita estritamente de madeira encontrada derivada no oceano (já que nenhuma árvore cresce nas Ilhas Aleutas), além de ossos e tendões. A Baidarka não era um simples caiaque, ela era tratada como um ser vivo pelos homens Aleutas.

Aleuta remando uma Baidarka

Os homens projetaram as estruturas da baidarka para serem leves, rápidas e flexíveis, unindo as partes de madeira com nós reforçados, trançados de partes resistentes de tendões de animais. As mulheres preparavam peles de leões-marinhos que costuraram nas molduras com agulhas de osso, usando um ponto mínimo, à prova d’água. Enquanto no mar, os homens levavam kits de reparo de emergência. Para os Aleutas, seus caiaques viviam como seres espirituais, essenciais para a sobrevivência de seu povo.

Desde cedo, as crianças aleutas eram treinadas a usarem baidarka, com diversas técnicas que são usadas até hoje na canoagem oceânica.

Baidarka moderna, feita em madeira
Baidarka moderna, feita em madeira

Livro sobre os povos UnanganOs caçadores saiam de caiaque há muitos e muitos quilômetros da costa sem qualquer tipo de instrumento. Nessa região faz somente 20 dias de sol por ano e há muito nevoeiro, o que torna impossível a navegação astronômica. Ilarion Merculieff, que nasceu e viveu sua infância com os Aleutas, escreveu um livro chamado One Man’s Journey to Honor the Untold History of the Unangan People“, ou traduzindo, “A jornada de um homem para honrar a história não contada do povo Unangan”. Unangan é um dos nomes usados para designar Aleutas. Ilarion conta essas e outras histórias sobre como os Aleutas usavam seus sentidos para “entender” a natureza, buscando conhecimento empírico e ancestral para buscar a sobrevivência.

Abaixo, uma palestra no Tedx, de Illarion Merculieff, sobre sua vivência com os povos nativos aleutas e quanto os remanescentes Aleutas tem a ensinar para o mundo moderno, tanto em educação experiencial, importância do conhecimento empírico e ancestral. Em dado momento  ele cita a experiência da meditação para aprimorar sua percepção sobre circunstâncias da natureza, no momento de caça, porém com outro nome, sem qualquer relação com as tradições que usam a meditação milenarmente ou mesmo na meditação ocidental contemporânea.

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